Pesca
Sem Morte
Mundialmente conhecida por “Catch and Release” esta
é uma prática recente que surgiu à cerca de
15 anos no Brasil, se bem que há referências à
pesca sem morte em 1915 pela mão de um pescador, J. C. Mottram,
que escrevia na altura: “uma truta é demasiado formosa
e nobre para ser considerada simplesmente comida”, ou de um
outro pescador muito famoso, Lee Wulff, que escreve em 1939, na
sua obra “Hand Book of Freshwater Fishing” “um
peixe desportivo é demasiado valioso para ser pescado uma
só vez”.
A Pesca Desportiva, como uma actividade de ar livre de interacção
directa com a Natureza, tem presente nos seus praticantes a consciência
de que parte deles tomar medidas de conservação do
meio onde procuram os seus momentos de lazer. Assim sendo, é
claro que este tipo de pesca não tem nada a ver com a matança
de peixe. É sim a procura de emoção de descobrir
a melhor técnica de captura de um bom exemplar (que dê
luta), sem que seja necessário matá-lo e garantir
que este seja devolvido ao meio aquático em boas condições
de sobrevivência.
A Pesca Sem Morte, está neste momento, a ser mundialmente
praticada por um crescente número de pescadores, que promove
a perpetuação desta arte ancestral que é a
pesca através da recolocação no meio na natural
dos peixes capturados, permitindo que estes possam ser novamente
pescados quer pelo mesmo, quer por outros pescador.
Parece um pouco irónico um país como o Brasil, que
tem mais de 2500 espécies de água doce identificadas,
seja o pioneiro numa prática como esta. Mas é um facto
que durante muito anos assistimos a uma verdadeira matança
e como estamos perante um tipo de recursos finitos é de todo
importante que esta seja uma modalidade bem divulgada, dando a conhecer
todos os benefícios e dando alguns conselhos para que as
cada um reveja a forma como pescam.
É verdade que existe uma cultura ancestral de levar o peixe
para consumo. Essa é uma prática perfeitamente compatível.
Porque não fazer uma selecção do peixe pescado?
Por que não libertar os mais pequenos? E porque não
os maiores? Seleccionar os exemplares, de preferência os mais
feridos, é uma forma de conciliar a as duas vertentes dando
continuidade a uma prática diária e promovendo a continuação
de um bom efectivo para o futuro.
Para maximizar a prática deste tipo de pesca é importante
que o peixe tenha a possibilidade de sobrevivência, o que
implica ter alguns cuidados a ter na sua captura e manuseamento.
Desde que é capturado, passando pela fase das fotos até
à altura de ser devolvido à água é necessário
tomar alguns cuidados para não por em causa a vida do peixe.
Assim sendo, apresenta-se aqui algumas regras:
- Usar equipamentos equilibrados (um grande exemplar capturado
com material leve pode exigir muito tempo de “luta”
e levar a morte do peixe por exaustão);
- Manter o peixe na horizontal, como se estivesse dentro de água,
para não comprimir os seus órgãos internos;
- Não retirar o muco protector do corpo do peixe, pois
previne a entrada de certos tipos de doenças e garante
uma melhor hidrodinâmica;
- Ter o peixe fora de água apenas o tempo suficiente para
retirar o anzol e, caso seja o caso, o tempo para registar o momento;
- Não apertar ou furar a língua e as guelras do
peixe, já que são frágeis e têm intensa
irrigação sanguínea;
- Antes de o largar, deixar que o peixe recupere do esforço
da captura na água e só depois o largar definitivamente.
Isto porque, se ele for imediatamente devolvido ficará
susceptível a presença de predadores e assim ser
capturado.
Uma vez que é extremamente importante a divulgação
destas ideias, nos meios de comunicação social especializados
nesta área (revistas, Internet, etc.), a DWCC espera também
estar a dar da melhor forma mais um contributo para que a prática
da pesca desportiva sem morte tenha cada vez mais adeptos em Portugal.
<< Voltar
|